'' Tenho uma história como tantas outras. Uns interpretam-na como banal, outros como uma fantasia por explicar. Sempre vivi como quis, sempre fiz o que quis, mas isso nunca quis dizer nada, pois a pessoa que hoje vêm através do reflexo do meu olhar nunca foi a pessoa que realmente quis ser. Passei toda a minha vida a jogar comigo própria a desvalorizar-me como se nunca fosse nada, nunca me entendi a mim mesma, nunca entendi o meu próprio pensamento, pois nunca o tentei decifrar como todos fazem.
O tempo passava, as horas esvoaçavam, os minutos sobrevoavam-me, os segundos pairavam no ar como a poeira num deserto, sentia-me só nunca neguei isso a ninguém, sentia-me abandonado por mim mesma, sentia que ...
Nunca soube o que senti, pois os sentimentos nunca foram meus, foram desenhados por outro alguém, numa tela a que todos chamam mais uma simples folha branca mas que é o coração de alguém, é o meu coração.
Nada do que escrevi aqui hoje fez qualquer sentido para mim, pois a pessoa que escreveu isto não sou eu, é o meu retrato animado que se apodera todos os dias de mim e me condena por todas as partes e me desfaz como o mar desfaz o vento, como o sol desfaz as nuvens, como a chuva desfaz a terra, e como o mundo desfaz a vida. ''
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